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de imprensa sobre o caso da Helena Casanova
Barreiro: Hospital cobra 200 mil euros por doente em coma vegetativo há seis
anos
Barreiro, 24 Maio (Lusa) – O Hospital do Barreiro moveu uma providência cautelar
para retirar uma doente em coma vegetativo, internada há seis anos, das suas
instalações, cobrando pelos 2168 dias de internamento mais de 200 mil euros.
No documento a que a
Lusa teve acesso, o Hospital Nossa Senhora do Rosário (HNSR), que está em gestão
corrente desde Janeiro de 2006, refere que a doente em causa sofre de
encefalotapia anóxica, está num estado “estável mas irreversível”, e que apesar
de necessitar de cuidados de terceiros “permanentes” os médicos nada poderão
fazer “em favor da sua evolução clínica”, com o HNSR a defender que “necessita
da cama ocupada para hospitalizar outros doentes”.
A providência cautelar, que foi recebida pela família no dia 15 de Maio, tinha
10 dias correntes para ser contestada, e refere que “se não for colocado de
imediato termo à situação a dívida ascende a uma proporção que aumenta a
impossibilidade de futura liquidação e coloca em causa gestão efectuada pelo
hospital”.
António Casanova, marido da doente Helena Casanova, garantiu à Lusa que apenas
manteve a mulher no Hospital pois não existia nenhum outro local com condições
para a receber.
“Tenho que trabalhar para pagar as minhas dívidas pois há seis anos fiquei
sozinho com a minha filha. O valor que o hospital me cobra não ganhou eu em 20
anos de trabalho”, referiu o mecânico industrial de 54 anos.
O hospital pede contas pelos 2168 dias de internamento de Helena Casanova,
cobrando mais de 200 mil euros, tendo em conta a tabela que entrou em vigor em
Agosto de 2006.
O marido explicou que o advogado vai contestar a providência cautelar e apela às
várias entidades em Portugal para o ajudarem a resolver esta situação.
“Esperamos por ajuda de qualquer entidade em Portugal, porque eu só fiz pela
minha esposa aquilo que ela teria feito por mim”, disse.
António Casanova disse que está disposto a mudar a mulher do hospital para um
outro local, mas para tal precisa que exista um local com as condições humanas e
matérias capazes para responder às necessidades da sua esposa.
“Concordo que o hospital não é o local ideal para a minha esposa estar, mas não
tenho outras opções. Quando soubemos da alta falamos com a Santa Casa da
Misericórdia mais foi nos dito pelo provedor que não existiam condições para a
receber”, afirmou.
O esposo criticou ainda o hospital por na sua opinião “terem feito muita
pressão” para retirarem Helena Casanova do hospital e por terem recusado, a seu
pedido, apoio psicológico para a filha do casal, alegando que “não tinham
psicólogo disponível”.
“A minha mulher trabalhou uma vida inteira, descontou sempre e devia ser uma
doente social. Eu já perdi tudo na vida e não a retiro do hospital enquanto não
me garantiram um local com condições”, reforçou.
Em Fevereiro de 2006 a família recebeu a primeira conta do hospital, onde era
dado um prazo de 30 dias para pagar o valor de 117 mil euros, mas a situação foi
adiada pelo advogado, com a conta a aumentar para mais de 200 mil euros até Maio
de 2007.
Helena Soares, hoje com 53 anos, sofreu um acidente na piscina municipal do
Barreiro no dia 21 de Março de 2001, local onde fazia terapia, tendo-se afogado
e entrado em paragem cardio-respiratoria, sem se conhecerem os motivos, sendo
encontrada a flutuar por um outro utente do espaço.
Na altura, os bombeiros tiveram várias dificuldades em retirar o corpo para o
exterior pois as saídas estavam fechadas com barras de ferro e a vítima teve que
ser retirada pela recepção, depois de desviadas secretárias e outros matérias.
A doente ficou em coma profundo e no início de Maio de 2001 recebeu alta, depois
do seu estado ter sido considerado irreversível, com a família a garantir que
procurou por um local para a poder receber.
“Procuramos na Cruz Vermelha e na CUF, mas foi nos dito que recebiam casos de
internamento mais curto e que em caso de a minha mulher ir para lá teríamos que
pagar ao dia”, lembra o marido.
A família questionou a Câmara do Barreiro sobre responsabilidades sobre o caso
numa reunião de Câmara, pois a piscina é um equipamento municipal, mas o
presidente na época, Pedro Canário, não retirou as dúvidas sobre um eventual
seguro para o internamento de Helena Casanova.
António Casanova decidiu então mover um processo judicial contra a autarquia
para apurar responsabilidades, onde a queixa-crime já foi perdida, mas o
processo cível ainda corre em tribunal, depois de a autarquia do Barreiro ter
terminado o inquérito em 2003, dois anos depois do acidente,
A audiência chegou a estar marcada para 2005, mas foi adiada porque o tribunal
do Barreiro não podia julgar a autarquia, passando o processo para Almada.
“A piscina fechou cerca de 3 semanas depois do acidente e só reabriu um ano
depois, tendo estado em obras. No início de 2007 estivemos perto de chegar a um
acordo com a autarquia, pois a Santa Casa ficou de criar condições para receber
a minha mulher, mas o acordo não se concretizou”, afirmou.
A filha, Mara Casanova, hoje com 26 anos, estudava na Universidade Nova de
Lisboa um curso de línguas quando se deu o acidente, tendo deixado a escola para
acompanhar a mãe.
“De início ainda tentei estudar mas não conseguia, porque queria estar perto da
minha mãe. Durante quatro anos e meio passava das 15:00 às 20:00, que é o
horário das visitas, no quarto do hospital”, disse à Lusa.
Para além de falar com a mãe na procura de alguns estímulos, Mara Casanova cuida
também da higiene pessoal da doente, mesmo depois de ter começado a trabalhar
como assistente dentária em Setembro de 2005.
“Falo com ela e procuro estímulos, tendo mesmo conseguido algumas respostas.
Penteio a minha mãe, corto o cabelo, lavo-lhe os dentes, trato da sua higiene e
até aprendi a fazer algumas massagens”, confessa a jovem, que na altura do
acidente tinha 19 anos.
Pai e filha continuam a passar todos os momentos livres no quarto do hospital
onde se encontra Helena Casanova, numa infeliz rotina diária a que a família se
viu obrigada desde o trágico acidente.
“Esta é uma situação que nem eu nem a minha esposa pedimos, não entendo porque
ainda tenho que pagar mais por isto. A minha vida terminou no dia 21 de Março de
2001”, concluiu António Casanova.
AYL
Lusa/Fim
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Barreiro: Unidade de Cuidados Continuados poderá ser solução para doente em coma
vegetativo - Hospital
Barreiro,
25 Maio (Lusa) – O Hospital Do Barreiro anunciou hoje que a solução para a
doente que está em coma vegetativo há seis anos poderá passar por uma vaga na
Unidade de Missão de Cuidados Continuados Integrados, sem que a divida seja um
problema.
“Foram realizados hoje contactos entre responsáveis da unidade de missão de
cuidados continuados integrados e o hospital para arranjar uma solução e fomos
informados que ainda hoje pode ser atribuída uma vaga”, disse Isabel Pinto
Monteiro, administradora executiva do Hospital Nossa Senhora do Rosário, no
Barreiro.
A responsável explicou que o principal objectivo do hospital é ter a cama livre
para receber outros utentes e que o valor da dívida pelos 2198 dias de
internamento, que ultrapassa os 200 mil euros, não é um problema.
“Problema fundamental é conseguir uma solução para este doente porque ela fica
melhor e o hospital precisa, a dívida é assunto que nem pomos neste momento,
precisamos mesmo da cama para outros doentes”, anunciou.
Isabel Pinto Monteiro acrescentou ainda que: “Existe a possibilidade do caso ser
resolvido com a passagem da doente para outro local, a providencia pretende que
seja cumprida a lata médica. Se não houver responsabilidade de terceiros, os
doentes são cobertos Serviço Nacional de Saúde nos valores que forem, a
assistência hospitalar está muito cara”.
Ana Abel, directora clínica do hospital, explicou que em qualquer caso é
necessária a autorização da família para a mudança da doente, havendo a vaga
onde a doente irá receber todos os cuidados necessários.
“A Unidade já existe em Lisboa e vamos ter ainda este ano em Setúbal. A solução
é considerada a adequada e se a família recusar vai ter que ser ela a resolver a
situação por si”, referiu.
António Casanova, contactado pela Lusa, mostrou-se novamente disponível para
chegar a uma solução para a sua esposa, lembrando que também considera que o
hospital não é o local ideal para a receber.
“Estou disponível para ouvir qualquer proposta que garanta o bem-estar da minha
esposa, pois sei que o hospital não é o local ideal, apenas não tinha mais
nenhum sítio que reunisse condições”, disse mecânico industrial.
O esposo confessou que não tem possibilidades de pagar os mais de 200 mil euros
pelo internamento da mulher e espera uma solução que resolva os problemas de uma
família já muito afectada pelo acidente.
Helena Almeida, enfermeira do hospital, anunciou que a Rede de Cuidados
Continuados Integrados é recente, mas que estão já a ser enquadradas as
respostas em casos de internamento de média ou longa duração.
Ana Abel explicou que a doente Helena Casanova entrou em coma vegetativo
passando depois para o estado irreversível, pois esteve sem oxigenação no
cérebro durante um período largo, devido a ter estado muito tempo na água da
piscina.
“Mantém o funcionamento dos órgãos e teve alta porque não necessita de cuidados
médicos mas sim de cuidados de enfermagem”, salientou.
A directora clínica disse que António Casanova recusou uma vaga para a Santa
Casa da Misericórdia do Barreiro antes de a doente ter alta, pois defendia que o
local não tinha condições para a acolher.
“Foi atribuída uma vaga em Agosto de 2001, mas o marido da dona Helena recusou a
vaga por dizer que o lar não tinha as condições para a receber. Sempre se
recusaram outra situação que não fosse a permanência”, explicou.
Ana Abel acrescentou ainda que em Março de 2006 o hospital recebeu uma
informação do advogado do esposo a dizer que tinha um processo com a autarquia,
solicitando algumas semanas para a transferência.
“O hospital está a tomar estas medidas ao fim de seis anos de contactos sem
resultados e finalmente chegamos a este ponto, vamos ver se a situação se
resolve”, concluiu.
O Hospital do Barreiro moveu uma providência cautelar para retirar uma doente em
coma vegetativo, internada há seis anos, das suas instalações, cobrando pelos
2168 dias de internamento mais de 200 mil euros.
No documento a que a Lusa teve acesso, o Hospital Nossa Senhora do Rosário (HNSR),
que está em gestão corrente desde Janeiro de 2006, refere que a doente em causa
sofre de encefalotapia anóxica, está num estado “estável mas irreversível”, e
que apesar de necessitar de cuidados de terceiros “permanentes” os médicos nada
poderão fazer “em favor da sua evolução clínica”, com o HNSR a defender que
“necessita da cama desocupada para hospitalizar outros doentes”.
A providência cautelar, que foi recebida pela família no dia 15 de Maio, tinha
10 dias correntes para ser contestada, e refere que “se não for colocado de
imediato termo à situação a dívida ascende a uma proporção que aumenta a
impossibilidade de futura liquidação e coloca em causa gestão efectuada pelo
hospital”.
António Casanova, marido da doente Helena Casanova, garantiu à Lusa que apenas
manteve a mulher no Hospital pois não existia nenhum outro local com condições
para a receber.
“Tenho que trabalhar para pagar as minhas dívidas pois há seis anos fiquei
sozinho com a minha filha. O valor que o hospital me cobra não ganhou eu em 20
anos de trabalho”, referiu o mecânico industrial de 54 anos.
Helena Soares, hoje com 53 anos, sofreu um acidente na piscina municipal do
Barreiro no dia 21 de Março de 2001, local onde fazia terapia, tendo-se afogado
e entrado em paragem cardio-respiratoria, sem se conhecerem os motivos, sendo
encontrada a flutuar por um outro utente do espaço.
Na altura, os bombeiros tiveram várias dificuldades em retirar o corpo para o
exterior pois as saídas estavam fechadas com barras de ferro e a vítima teve que
ser retirada pela recepção, depois de desviadas secretárias e outros matérias.
A doente ficou em coma profundo e no início de Maio de 2001 recebeu alta, depois
do seu estado ter sido considerado irreversível, com a família a garantir que
procurou por um local para a poder receber.
“Procuramos na Cruz Vermelha e na CUF, mas foi nos dito que recebiam casos de
internamento mais curto e que em caso de a minha mulher ir para lá teríamos que
pagar ao dia”, lembra o marido.
António Casanova decidiu então mover um processo judicial contra a autarquia
para apurar responsabilidades, onde a queixa-crime já foi perdida, mas o
processo cível ainda corre em tribunal.
AYL
Lusa/Fim

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»Notícia da Sic Online

Notícia 1
Notícia 2
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Barreiro: Santa Casa da
Misericórdia disponível para "ajudar" doente em coma vegetativo
O provedor da Santa
Casa da Misericórdia do Barreiro manifestou hoje a disponibilidade da
instituição para "ajudar" a doente que está em coma vegetativo no hospital
local, embora, neste momento, não disponha de quarto vago.
"Neste momento, não temos o quarto, porque a lista de espera é enorme, mas penso
que, em dois ou três meses, conseguimos criar condições. Continuamos disponíveis
para ajudar", frisou o provedor, Júlio Freire, em declarações à agência Lusa.
As garantias do responsável da Santa Casa da Misericórdia surgem depois da Lusa
ter apurado, quarta-feira, que o Hospital do Barreiro moveu uma providência
cautelar para retirar uma doente em coma vegetativo, internada há seis anos, das
suas instalações, cobrando pelos 2.168 dias de internamento mais de 200 mil
euros.
No documento a que a Lusa teve acesso, o Hospital Nossa Senhora do Rosário (HNSR),
em gestão corrente desde Janeiro de 2006, refere que a doente em causa sofre de
encefalotapia anóxica e está num estado "estável, mas irreversível", pelo que,
apesar de necessitar de cuidados de terceiros "permanentes", os médicos nada
poderão fazer "em favor da sua evolução clínica".
António Casanova, marido da doente, disse à Lusa que está disposto a mudar a
mulher do hospital para um outro local, mas, para tal, precisa de ver reunidas
as condições humanas e materiais capazes para responder às necessidades da
esposa.
"Concordo que o hospital não é o local ideal para a minha esposa estar, mas não
tenho outras opções. Quando soubemos da alta falamos com a Santa Casa da
Misericórdia, mais foi-nos dito pelo provedor que não existiam condições para a
receber", afirmou.
O provedor da Santa Casa da Misericórdia (tem dois lares no Barreiro, um deles
para dependentes) afiançou hoje que, na altura do acidente sofrido pela doente
(na piscina municipal, a 21 de Março de 2001), a instituição disponibilizou
"todos os meios para ajudar a família em choque".
"Como, na altura, não foi possível resolver a situação, afastámo-nos, mas há
cerca de dois meses, o actual presidente da câmara disse-nos que queria resolver
o problema e nós defendemos que estávamos prontos para actuar e ajudar",
acrescentou Júlio Freire.
Quando a câmara e a família "pareciam estar perto do acordo", argumentou, a
Santa Casa "disponibilizou um quarto particular com os aparelhos necessários,
como os aspiradores de secreções".
Apesar de serem "aparelhos de pouco custo, seria a câmara a pagar", explicou,
acrescentando que a família "parecia disponível, mas houve um desentendimento
entre advogados".
"Como houve esse desentendimento entre os advogados, o quarto já foi cedido a
outra pessoa", sublinhou, insistindo, contudo, na disponibilidade da instituição
para "ajudar", podendo as condições estar reunidas "dentro de dois ou três
meses".
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Factura de 200 mil euros
entregue à família
Hospital do Barreiro quer retirar doente em coma há seis anos
24.05.2007 - 11h55 Lusa
O hospital do Barreiro
pediu ao tribunal uma providência cautelar para retirar das suas instalações uma
doente em coma vegetativo, internada há seis anos, e apresentou à família uma
factura de 200 mil euros pelos 2168 dias de internamento.
O Hospital Nossa Senhora do Rosário (HNSR), que está em gestão corrente desde
Janeiro de 2006, alega que a doente em causa sofre de encefalotapia anóxica
(danos cerebrais irreversíveis por falta de oxigenação do cérebro), que está num
estado "estável mas irreversível" e que, apesar de necessitar de cuidados de
terceiros "permanentes", os médicos nada poderão fazer "em favor da sua evolução
clínica".
A direcção do hospital argumenta que precisa da cama ocupada "para hospitalizar
outros doentes".
O pedido de providência cautelar, que foi recebido pela família no dia 15 de
Maio, tinha dez dias correntes para ser contestada e refere que "se não for
colocado de imediato termo à situação, a dívida ascende a uma proporção que
aumenta a impossibilidade de futura liquidação e coloca em causa gestão
efectuada pelo hospital".
Família diz que não há alternativa
António Casanova, marido da doente Helena Casanova, garantiu à Lusa que apenas
manteve a mulher no hospital pois não existia nenhum outro local com condições
para a receber.
"Tenho que trabalhar para pagar as minhas dívidas pois há seis anos fiquei
sozinho com a minha filha. O valor que o hospital me cobra não ganho eu em 20
anos de trabalho", disse o engenheiro mecânico de 54 anos.
O hospital pede contas pelos 2168 dias de internamento de Helena Casanova,
cobrando 200.232,88 euros, tendo em conta a tabela que entrou em vigor em Agosto
de 2006.
O marido da doente disse que o seu advogado vai contestar a providência cautelar
e apelou às várias entidades em Portugal para o ajudarem a resolver esta
situação.
"Esperamos por ajuda de qualquer entidade em Portugal, porque eu só fiz pela
minha esposa aquilo que ela teria feito por mim", disse.
Disse que está disposto a mudar a mulher do hospital para um outro local, mas
para tal precisa de um local com as "condições humanas e materiais" capazes para
responder às necessidades da sua mulher.
"Concordo que o hospital não é o local ideal para a minha esposa estar, mas não
tenho outras opções. Quando soubemos da alta falámos com a Santa Casa da
Misericórdia, mas foi-nos dito pelo provedor que não existiam condições para a
receber", disse.
Hospital acusado de recusar apoio psicológico
O marido criticou ainda os responsáveis do hospital por, na sua opinião, "terem
feito muita pressão" para retirarem Helena Casanova do local e por terem
recusado o seu pedido de apoio psicológico para a filha do casal, alegando que
"não tinham psicólogo disponível".
"A minha mulher trabalhou uma vida inteira, descontou sempre e devia ser uma
doente social. Eu já perdi tudo na vida e não a retiro do hospital enquanto não
me garantirem um local com condições", reforçou.
Em Fevereiro de 2006, a família recebeu a primeira conta do hospital, onde era
dado um prazo de 30 dias para o pagamento de 117 mil euros, mas a situação foi
adiada pelo advogado, com a conta a aumentar para mais de 200 mil euros até Maio
de 2007.
Helena Casanova, hoje com 53 anos, sofreu um acidente na piscina municipal do
Barreiro no dia 21 de Março de 2001, local onde fazia terapia, tendo-se afogado
e entrado em paragem cardio-respiratória, sem se conhecerem os motivos, sendo
encontrada a flutuar por um outro utente do espaço.
Na altura, os bombeiros defrontaram-se com várias dificuldades para retirar o
corpo para o exterior, pois as saídas estavam fechadas com barras de ferro.
A vítima teve que ser retirada pela recepção, depois de desviadas secretárias e
outros equipamentos.
A doente ficou em coma profundo e no início de Maio de 2001 recebeu alta, depois
de o seu estado ter sido considerado irreversível.
"Procurámos na Cruz Vermelha e na CUF, mas foi nos dito que recebiam casos de
internamento mais curto e que em caso de a minha mulher ir para lá teríamos que
pagar ao dia", disse o marido de Helena Casanova.
Processo cível contra a câmara do Barreiro
A família questionou a câmara do Barreiro sobre as suas responsabilidades no
caso, numa reunião do executivo camarário — já que a piscina é um equipamento
municipal —, mas o presidente na época, Pedro Canário, recusou activar um
eventual seguro para suportar o internamento de Helena Casanova.
O marido decidiu então mover um processo judicial contra a autarquia para apurar
responsabilidades.
A queixa-crime apresentada já foi arquivada, mas o processo cível ainda corre em
tribunal, depois de a autarquia do Barreiro ter terminado o inquérito em 2003,
dois anos depois do acidente.
A audiência chegou a estar marcada para 2005, mas foi adiada porque o tribunal
do Barreiro não podia julgar a autarquia, passando o processo para Almada.
"A piscina fechou cerca de três semanas depois do acidente e só reabriu um ano
depois, tendo estado em obras. No início de 2007 estivemos perto de chegar a um
acordo com a autarquia, pois a Santa Casa ficou de criar condições para receber
a minha mulher, mas o acordo não se concretizou", disse António Casanova.
Filha teve que sair da faculdade
A filha, Mara Casanova, hoje com 26 anos, estudava na Universidade Nova de
Lisboa num curso de línguas quando ocorreu o acidente, tendo deixado a escola
para acompanhar a mãe.
"De início ainda tentei estudar, mas não conseguia, porque queria estar perto da
minha mãe. Durante quatro anos e meio passava das 15h00 às 20h00, que é o
horário das visitas, no quarto do hospital", disse à Lusa.
Para além de falar com a mãe, na procura de alguns estímulos, Mara Casanova
cuida também da higiene pessoal da doente, mesmo depois de ter começado a
trabalhar como assistente dentária, em Setembro de 2005.
"Falo com ela e procuro estímulos, tendo mesmo conseguido algumas respostas.
Penteio a minha mãe, corto o cabelo, lavo-lhe os dentes, trato da sua higiene e
até aprendi a fazer algumas massagens", disse a jovem, que na altura do acidente
tinha 19 anos.
Pai e filha afirmam continuar a passar todos os momentos livres no quarto do
hospital onde se encontra Helena Casanova, numa rotina diária a que a família se
viu obrigada desde o acidente.
"Esta é uma situação que nem eu nem a minha esposa pedimos, não entendo porque
ainda tenho que pagar mais por isto. A minha vida terminou no dia 21 de Março de
2001", disse António Casanova.
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